A importância da gestão pessoal da carreira para o protagonista

imagem de três jovens em sala de reunião

O mundo do trabalho está mudando. Para permanecer competitiva, as organizações precisam pensar de maneira diferente sobre como gerenciam talentos, pois:

  • em até 2030, 9% da população do mundo viverá em apenas 41 megacidades (Economista, 2015);
  • em até 2030, a crise global de talentos atingirá níveis altíssimos nas economias desenvolvidas e em desenvolvimento (Korn Ferry, The Talent Crunch, 2018);
  • em até 2027, 82% das empresas devem trocar sua mentalidade voltada à era digital (Gallup poll, 2018);
  • em até 2029, prevê-se que os robôs tenham atingido a mesma inteligência que os humanos (Ray Kurzweil, 2018);
  • hoje, 65% das crianças vão ingressar na escola primária e farão trabalhos de que nunca ouvimos falar (World Economic Forum, 2018);
  • 35% das habilidades consideradas importantes hoje não serão daqui a cinco anos (World Economic Forum, 2018).

Segundo a fonte Korn Ferry, há uma mudança da força de trabalho; globalização crescente; agilidade dos concorrentes; necessidade de inovação e digitalização. Com esse cenário, a escassez de talentos qualificados exige uma abordagem ágil não somente por parte das organizações em manter o ritmo de qualificação e desenvolvimento dos profissionais, mas também do movimento dos profissionais protagonistas que desejam gerar valor para o mercado.

Não adianta apenas a boa vontade, a intenção e a disposição do protagonista em querer ser o próprio agente transformador de mudança de um futuro pessoal e profissional com mais significado, com mais propósito, direção e harmonia, sem ter a capacidade de uso da gestão da carreira consciente. Tomadas de decisão acontecerão a todo o momento na jornada de vida, ainda mais considerando um mundo globalizado e altamente conectado.

Há muitas pessoas que se classificam como protagonistas, porém, ainda com muita deficiência nessa capacidade de gestão pessoal e, principalmente, da carreira. Tal falta da gestão impossibilita que esse agente transforme a sua vida, o que causa frustração, sofrimento e armadilhas de muito barulho, muito movimento com pouco progresso em si. Consequentemente, há uma elevação da ansiedade por não alcançar os resultados esperados, considerando o alinhamento entre as aspirações pessoais e profissionais desse indivíduo.

“Gerenciamento é substituir músculos por pensamentos, folclore e superstição por conhecimento, e força por cooperação.”
Peter Drucker 

Acontece que muitas pessoas, apesar de habilitarem as suas boas intenções, precisam desenvolver a competência da gestão em meio a uma cultura de grande agilidade e imediatismo – assim podem acabar confundindo essa dinâmica toda da gestão em algo moroso, lento, até engessado. A realidade, no entanto, é que a gestão é uma dinâmica estruturada para direcionar o indivíduo no sentido que ele decidiu ir, afinal de que adianta tanta agilidade, aceleração, esforço e investimento se está indo para o lugar oposto do que escolheu? Correu, correu e pegou o trem errado!

A gestão pessoal da carreira é um processo consciente, contínuo e dinâmico em que o indivíduo explora, escolhe, desenvolve, implementa e executa objetivos e estratégias em vista da progressão profissional ao longo da sua jornada profissional.

Perceba que uma gestão pessoal da carreira realizada eficientemente promove não só impactos de progressão, realização e felicidade para o indivíduo em si, mas para todo o meio no qual ele está inserido – sua família, seu time, sua organização, seus pares, seus clientes, seu negócio e a sociedade. Enfim, são muitos os benefícios que um protagonista pode proporcionar de forma consciente não só a sua carreira, como também a sua vida.

Não é uma dinâmica fácil de se estabelecer, pois, para além da intensa e verdadeira entrega, é uma cultura: a origem da palavra cultura vem do termo do latim colere, que significa cuidar, cultivar e crescer; cultura que é compreendida como os comportamentos, tradições e conhecimentos de uma determinada pessoa ou grupo social incorporando o saber ser, o saber agir e o saber parecer em congruência com a sua identidade e constância.

A importância da gestão pessoal da carreira para o protagonista, promove:

  • uma vida com mais consciência;
  • menos risco (as famosas montanhas-russas);
  • mais confiabilidade para a sua audiência;
  • não somente parcerias, mas alianças fortes;
  • oportunidades relevantes; não investe tempo, esforço nem dinheiro onde não precisa;
  • a capacidade de identificar e consumir conteúdos de valor para empoderar ainda mais o seu repertório;
  • a alta capacidade de tomadas de decisão com alto nível de percepção aliada a critérios sólidos;
  • a capacidade de aproveitar e curtir com abundância a jornada da vida;
  • as aspirações pessoais e profissionais ao estilo de vida que deseja; e
  • outras tantas possibilidades.

No entanto, em nenhum momento foi citado que todo esse trabalho de bastidor no que tange a gerir uma carreira é fácil ou até mesmo simples, muito pelo contrário, diversas vezes pode ser complexo, cheio de adversidades e muito difícil, mas quando temos o nosso “Porquê” verdadeiro, enfrentamos qualquer “Como”.

Estruturas, culturas e processos são investimentos fundamentais para os sistemas de carreiras, tanto por parte do profissional como por parte da organização. A carreira é o principal componente da vida profissional, pois está envolvida com o trabalho, senso de propósito, desafios, satisfação pessoal e renda. A carreira é uma jornada!

E nessa jornada estão inclusos alguns pilares que sustentam a carreira mais consciente, a saber:

  • a clareza (autoconhecimento, consciência da marca pessoal e conhecimento do mercado);
  • a tomada de decisão; e
  • o plano estratégico.

Para se obter clareza, é necessário expandir a perspectiva do seu autoconhecimento, bem como expandir o conhecimento do mercado em que está ou em que pretende atuar. Com essa consciência, você sairá de pontos cegos e conseguirá enxergar com mais nitidez a sua marca pessoal e o mercado.

Autoconhecimento é fundamental para mergulhar mais na sua identidade, ou seja, conhecer suas características individuais e físicas; sua personalidade; habilidades, competências e talentos; sua história pessoal e suas forças; princípios, crenças e valores; propósito, interesses e paixão; visão, sua dinâmica de ser e experiência. Conhecer do mercado, para que entenda as possibilidades reais que pode ter.

A tomada de decisão é baseada na sua capacidade de percepção, como você consegue obter a clareza diante dessa percepção de mundo, ou seja, a capacidade que você tem de organizar e interpretar as impressões que você consegue captar dos eventos mais concretos ao mais subjetivos e dar sentido para o seu meio, sua vida e seu momento para que, aí, sim, possa escolher.

Por isso, a clareza vem como pilar primário desse processo todo, pois sem ela você não conseguirá critérios sólidos para uma tomada de decisão consciente, coerente e segura com o que almeja.

A tomada de decisão em relação ao objetivo que deseja alcançar, em relação ao seu posicionamento, em relação às alianças que irá formar, aos projetos que deverá falar não, a pessoas que precisará se afastar, entre tantas outras decisões que deverá assumir com muita responsabilidade e cuidado.

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”,  

segundo William Edwards Deming. 

 

Um bom planejamento estratégico é capaz de nortear os esforços, a energia, reduzir a ansiedade e aumentar as chances de sucesso do seu projeto de carreira. É necessário ter ferramentas adequadas para detalhar os passos para agir na implementação do seu projeto profissional. E, como toda execução, pode ser que encontre no meio do caminho muitas adversidades, por isso desenvolver comportamentos resilientes para o enfrentamento de cada conflito é fundamental.

Reservar momentos de autoavaliação para:

  • analisar o desempenho das metas no trimestre/semestre/ano por objetivo do mapa estratégico;
  • verificar os resultados das principais metas no mês que passou;
  • comparar o resultado do momento com o histórico do passado;
  • definir ações para melhorar os resultados que estão aquém das metas;
  • verificar se os principais projetos (plano de ação) estão dentro do prazo; e
  • avaliar a produtividade geral do trabalho, entre outras possíveis análises.

Para que possa estabelecer os pilares de forma estruturada, o modelo de negócio pessoal é um recurso excelente. Deixo uma sugestão do livro Business Model YOU, escrito pelo Tim Clark, em colaboração com Alexander Osterwalder e Yves Pigneur. Um guia para ajudar você nesse processo, caso queira mergulhar com grande entrega no seu modelo de negócio pessoal.

Seguindo para o desfecho, quero reforçar, contudo, que uma marca pessoal forte que gera valor para o mercado tem o protagonismo em seu cerne, pois, quando falamos em marca pessoal, estamos falando sobre o modo ser, modo ter e modo parecer, segundo Isabela Clara – personal brander brasileira.

Uma marca pessoal é composta pela identidade, imagem e reputação de um indivíduo.  E, para que a marca pessoal possa gerar valor ao mercado e para a audiência, precisa-se do protagonismo com toda a sua capacidade ativa de mobilização e realização. Assim, será expresso o saber organizar e direcionar o uso de recursos para explorar todo o repertório de conhecimento, a experiência e as habilidades, construindo um legado de relevância para uma expansão pessoal e profissional com impacto nos resultados e progressão na empresa, nos negócios, nos projetos.

Alguns estudos e autores pontuam 5 pilares que caracterizam os protagonistas, conheça-os:

Presença – é o estado mental de concentração no momento e lugar atuais, em uma atitude aberta e não julgadora. Consegue concentrar suas energias para entrar no estado de espírito adequado as suas percepções.

Autonomia – tomam iniciativa, não ficam esperando opiniões, ordens de outros. Têm a clareza de que seu destino/futuro está na sua responsabilidade e não nas mãos de terceiros, portanto, criam oportunidades.

Significado – é ter um sentido em tudo que se movimenta e faz, com a consciência de que suas ações e decisões visam sempre construir algo maior, com abundância que esteja ligado a um propósito forte que habilita a sua determinação e perseverança.

Empatia – o protagonista sabe que não vai construir nada de relevante sozinho e por isso ele precisa de pessoas com as quais possa construir junto, combinando competências e habilidades. Portanto, ele usa a sua capacidade de se enxergar no outro, ler o outro e interagir de forma a estabelecer vínculos significativos que estabeleçam laços relevantes e perenes.

Audácia – de ir além dos limites, enfrentá-los e superá-los. Os protagonistas têm consigo que são um ser em formação, que está sempre aprendendo e se desenvolvendo. Portanto, a cada oportunidade, procura ampliar seus limites, vencendo barreiras e crescendo com cada evento. Com esse movimento, considera correr riscos, sair da zona de conforto e enfrentar seus medos.

Para além de acompanhar esse cenário altamente conectado e globalizado, permita-se trilhar uma jornada mais consciente, ativando e evoluindo o seu protagonismo para que possa ter uma carreira de grande realização e sucesso – diria até mesmo incrível – de vida!

Por Aliani Burckarte, participante do Grupo de Estudos de Coaching, Carreira e Sucessão 

São Paulo, 13 de Junho de 2022

ABRH-SP

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