As pessoas no centro foi o mote da Semana da Transformação Digital

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Um dos principais eventos da ABRH-SP, a Semana da Transformação Digital aconteceu de 13 a 16 de setembro, com uma sólida programação de painéis e treinamentos, tudo 100% online. Na abertura do evento, o presidente da ABRH-SP, Guilherme Cavalieri, destacou o conteúdo excelente, com abordagens técnicas e, ao mesmo tempo, práticas.

Guilherme enfatizou a importância do tema no painel de abertura As Pessoas no Centro da Transformação Digital: “Ocorrendo em velocidade exponencial em todo o mundo, a transformação digital foi potencializada pela pandemia e será a alavanca para a recuperação da economia global. Nesse contexto, as pessoas precisam estar no centro das atenções, serem empoderadas e preparadas para assumir o papel de protagonistas e operacionalizar, com agilidade, as mudanças necessárias em suas vidas, tanto pessoal quanto profissionalmente”.

Cada convidado do painel de abertura abordou um dos seis fundamentos da transformação digital que deverão ser absorvidos e dominados pelas pessoas e organizações para alcançarem o sucesso: incorporar o agile mindset; fazer a gestão da mudança em velocidade exponencial; alinhar expectativas e mitigar conflitos; ajustar a cultura organizacional; criar um ambiente favorável ao autodesenvolvimento; e operacionalizar contratos de encaminhamento social. Como explicou Guilherme, a definição desses seis fundamentos é resultado da iniciativa coletiva de profissionais e especialistas da ABRH-SP, da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e Instituto MicroPower.

Participaram do painel: Augusto Gaspar, managing director da TCG Consult; Francisco Soeltl, chairman e CEO do Instituto MicroPower; Pedro Martins, CEO da PMhub; Robson Bessa, fundador da Unblock.IT; Simone Pittner, superintendente Lean-Agile da B3; e Wagner Brunini, diretor executivo da Brunini. Diretora de Comunicação da ABRH-SP, Claudia Meirelles foi a moderadora. Confira, a seguir, um resumo do conteúdo apresentado:

1- Como incorporar o Agile Mindset ao dia a dia das organizações

Como lembrou Pedro Martins, o tema agile é recorrente nos dias de hoje. “Todos falamos, pelo menos uma vez ao dia, essa palavra mágica. Entretanto, em muitas oportunidades, restringimos o agile aos ritos e processos quando na realidade estamos a falar de uma cultura e de uma mentalidade, que são essenciais para o desenvolvimento das competências dos protagonistas da transformação digital. Portanto, podemos definir o agile mindset como um conjunto de crenças, ritos, comportamento e atitudes que são fundamentais para a transformação digital”, explicou.

Essas competências são de duas ordens: uma mais soft, relacionada com a mentalidade agile propriamente dita, que é ser disruptivo, experimental, empoderado, flexível, informal, autêntico e transparente; e outra competência mais hard e rígida, relacionada exatamente com os ritos e processos do agile, que é ser curador desses ritos e ferramentas, estar focado em dados, ser analítico, lógico, objetivo, compromissado com o cliente, focado naquilo que é essencial e ser auto-organizado.

Já os princípios que as organizações têm de desenvolver, de acordo com Pedro, são aqueles do Manifesto Agile de 2001: a valorização das pessoas e da cadeia de valor do negócio; fomentar a diversidade e a colaboração; promover a flexibilidade e a simplicidade; segmentar em pequenos ciclos de gestão; envolver os clientes em todas as etapas; tornar os erros oportunidades de aprendizagem; e, obviamente, fomentar a inovação.

2- Como fazer a gestão da mudança

“A imprevisibilidade do contexto de negócios, puxada pela rápida evolução tecnológica, tem acelerado o ritmo das mudanças nas organizações. Com isso, cada vez mais sentimos a necessidade de ter uma maneira mais ágil de liderar essas transformações. Uma maneira mais lean de fazer a gestão das mudanças”, disse Simone Pittner. 

Segundo ela, o lean change é uma abordagem centrada no ser humano que abarca os 8 Passos do John Kotter, que combinam o mindset lean agile com design thinking. Essas ferramentas vão proporcionar que a visão de mudança seja cocriada por times multidisciplinares.

A principal diferença do lean change dos modelos tradicionais de gestão de mudança é o fato de atuar em ciclos curtos de ações incrementais e evolutivas. “Isso nos aproxima da realidade da transformação digital, que também tem sido exponencial e acelerada e se beneficia de ciclos curtos para se solidificar. O engajamento das pessoas pelo propósito e pelo contexto de participação contínua é a base da gestão de mudança exponencial lean change.”

3- Alinhar expectativas e mitigar conflitos

A fim de estarem preparadas para serem protagonistas da inovação e da transformação digital, é necessário que as pessoas saibam enfrentar os conflitos gerados pelas mudanças, pela complexidade crescente em suas vidas e em seu trabalho.

“Os conflitos são naturais do relacionamento humano. Eles surgem de opiniões, pontos de vista e ideias diversas, além da disputa por recursos. Quando falamos de um ambiente de transformação digital dentro desse contexto de elevada complexidade, se não tratarmos desses conflitos de maneira adequada, eles podem ganhar corpo rapidamente, tornando-se prejudiciais para a organização. Assim precisamos aprender como tratar os conflitos para extrair deles novas oportunidades e também resultados positivos”, enfatizou Augusto Gaspar.

4- Como incorporar a transformação digital na cultura organizacional

“À medida que a gente sai da nossa zona de conforto, percebemos que  precisamos desenvolver questões mais estruturais de mudança”, destacou Robson Bessa. Para ele, o primeiro passo para entender a mudança é tomar consciência dela para que de fato possamos enfrentar os desafios do século 21 não com o mesmo portfólio que acumulamos no século 20.

Robson elencou os 7 Pilares da Cultura Digital, sempre com a pessoa no centro, que foram desenvolvidos dentro do Manifesto do Brasil 5.0:

  1. Foco no cliente
  2. Inovação
  3. Data driven, os dados são um dos grandes ativos das organizações
  4. Colaboração
  5. Cultura aberta
  6. Fluência digital, talvez a Inteligência Artificial seja hoje a tecnologia das tecnologias
  7. Agilidade e flexibilidade, para perceber que a gente precisa aprender coisas novas

“A transformação digital demanda uma mudança muito relevante de mindset. Vamos precisar evoluir bastante nesses 7 Pilares para fazer frente aos desafios que estão por vir”, complementou Robson.

6- O que as organizações devem fazer para implantar um ambiente favorável ao autodesenvolvimento

“Nesse contexto em que as pessoas precisam ser protagonistas do seu próprio desenvolvimento, é importante que as organizações implantem esse ambiente favorável ao autodesenvolvimento, que é um fator de sucesso para a inovação. Sabemos que 90% do que precisamos para ter um bom desempenho aprendemos em um ambiente informal de trabalho”, explicou Francisco Soeltl.

Ele comentou os componentes da Universidade Corporativa Ampliada, que são fundamentais para o autodesenvolvimento:

Do ponto de vista do colaborador:

  • Poder lançar mão do suporte ao desempenho, que é uma assistência no momento da execução do trabalho. Pode ser um check list ou uma ferramenta eletrônica, tipo Waze, que direciona o caminho pelo qual a pessoa vai seguir;
  • Poder buscar, nas bases de dados da empresa ou mesmo no Google, aquilo que falta;
  • Caso não tenha conseguido achar o que precisa, ter a possibilidade de acessar os especialistas; e
  • Lançar mão de redes sociais e da colaboração dentro ou fora da empresa.

Do ponto de vista da organização:

  • Dar espaço para o colaborador produzir conteúdo que vai ser consumido na própria organização;
  • Estar sempre atento aos processos, que agora são atualizados com frequência;
  • Estar sempre atento às novas tecnologias, principalmente àquelas que podem ajudar;
  • Na medida do possível, e podendo, lançar mão de apoio consultivo, que traz melhores práticas, complementa a força de trabalho e ajuda até a convencer as pessoas;e
  • Buscar soluções inovadoras de aprendizagem, por exemplo plataformas de experiências de aprendizado, e usar com muita propriedade as videoconferências.

7- Como as organizações devem apoiar as pessoas que vão perder seus postos de trabalho

“Os colaboradores que não acompanharem as mudanças tecnológicas fatalmente colocarão em risco suas carreiras. Novas competências serão exigidas, novas profissões serão criadas. Entretanto, nem todas as pessoas conseguirão se requalificar. Estas serão demitidas”, alertou Wagner Brunini.

Para ele, a transformação digital criará grandes oportunidades de negócios e de desenvolvimento. “Este é o lado magnífico dela.” Contudo, essa mesma transformação digital trará profundas mudanças na forma como as organizações atuam. Atividades repetitivas, com o manuseio de um grande volume de dados e impacto no esforço físico das pessoas, serão substituídas por algoritmos que aprendem e agilizam a tomada de decisão.

Portanto, destacou, as organizações devem se preparar tendo como marco na sua estratégia de mudança e de inovação o foco nas pessoas. As pessoas são responsáveis pelo sucesso dessa iniciativa. “O apoio às pessoas significa prepará-las, requalificá-las e ensiná-las a trabalhar nesse novo ambiente de mudança. Não adianta investir tempo e dinheiro em inovação se as pessoas não estiverem preparadas para uma nova forma de trabalhar. Isso já está acontecendo e já está desafiando as organizações no aqui e no agora”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRH-SP (20 de Setembro de 2021)

ABRH-SP

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