“Fundraising é para acelerar o negócio, nunca para parar de pé”

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Endeavor Brasil

A Endeavor é a rede formada pelas empreendedoras e empreendedores à frente das scale-ups que mais crescem no mundo e que são grandes exemplos para o país.

Daniel Scandian  e Marcelo Scandian, Empreendedores Endeavor da MadeiraMadeira, e Luiz Otávio Ribeiro, Mentor Endeavor da General Atlantic, participaram de uma mentoria para a rede Endeavor e dividiram seus principais aprendizados sobre fundraising, Series B e C. Confira!

Fundraising é para acelerar o negócio, nunca para parar de pé. Essa mentalidade está no livro Great by Choice. Nele, Jim Collins fala que empresas com caixa sempre têm um desempenho melhor no longo prazo.

Esse foi o assunto central da mentoria: como usar capital para acelerar um negócio e causar ainda mais impacto no país. Veja os aprendizados.

Na series C da MadeiraMadeira, nós tínhamos caixa e tivemos condições de negociar e optar por uma transação mais favorável em termos de relacionamento do que valuation“, Daniel Scandian, Empreendedor Endeavor da MadeiraMadeira

Na hora de captar, qual fundo escolher?

É importante entender quais fundos fazem sentido para cada momento do negócio.

Dessa forma, quando fundos relevantes entram nas primeiras rodadas, isso desperta o interesse e oferece credibilidade para demais investidoras e investidores nas rodadas seguintes.

Além disso, é importante entender:

  • O engajamento e a credibilidade do fundo por meio de conversas com empreendedoras e empreendedores investidos por esse fundo;
  • Qual o perfil da pessoa que irá compor o board, já que será o apoio central da scale-up nos momentos importantes de tomada de decisões.

Como devo me preparar para iniciar as negociações?

É preciso ter clareza estratégica sobre o objetivo da rodada independente se é uma necessidade para investimentos específicos ou para aproveitar o momento para capitalização.

Depois, o ideal é apresentar a ideia para outras pessoas do seu network – como empreendedoras e empreendedores que levantaram capital – para validá-la antes de falar com o fundo, já que é possível notar quem se preparou ou não. Além disso, é fundamental conhecer  as métricas e clientes relevantes para o negócio e treinar o Q&A.

Para preparar o pitch, uma boa prática é ver o F1 de uma empresa referência e ver como estruturam e contam a própria história (Nasdaq–> Company –> SEC Filings –> F1 – exemplo da VTEX aqui).

Contratar ou não um advisor?

“Você não consegue fazer sozinha ou sozinho?”. Quando se tem muitas outras atividades acontecendo e o valor da rodada é mais alto, vale a pena.

Caso opte pela contratação, o ideal é identificar o banco e a pessoa advisor mais adequada para o momento.

Como um advisor pode contribuir para o processo?

Bom, vamos lá: organização do processo, agendamento de reuniões e follow ups. Assim, você dispõe de tempo no relacionamento com investidoras e investidores. Advisories também podem contribuir com estratégias para melhorar este relacionamento.

Além disso, é interessante deixar um deck (20-30 slides) atualizado com esta pessoa, caso uma investidora ou investidor entre em contato, é possível aproveitar a oportunidade.

Quais os pontos chave no relacionamento com investidoras e investidores?

Antes de qualquer coisa, você deve entender o histórico de negócios investidos pelo fundo e unit economics. 

No primeiro contato, deixá-los falar primeiro é um diferencial para entender como cada questão é ponderada. Sendo assim, esses pontos podem ser utilizados para adaptação e preparo do pitch.

Além disso, outros pontos importantes:

  • Durante a rodada, é interessante iniciar as conversas com investidoras e investidores que se tem menos interesse – isso é bom para treinar e ter um desempenho melhor com aqueles que se tem mais interesse;
  • Participar de eventos é bom para desenvolver relacionamento, mesmo que no curto prazo não faça sentido, pode ser uma oportunidade futura.

Quais são as boas práticas para a negociação? 

Pontos relevantes para manter a atenção durante esse período:

  • Não abrir quais outros fundos está conversando – pelo menos não até receber o primeiro term sheet. Caso haja alguma desistência, isso pode gerar uma desconfiança;
  • Ter um data center próprio para colocar informações (pitch, financials e afins). Com isso, é possível monitorar o engajamento de investidoras e investidores com os materiais;
  • Avançar com o due diligence somente nas etapas mais avançadas. Assim, as informações já estarão organizadas conforme forem demandadas por investidoras e investidores – isso pode ajudar no engajamento.

Quando CEO não é a fundadora ou o fundador, quem deve fazer o pitch? 

Fundos buscam investir em scale-ups que consideram ter uma pessoa competente como CEO. Então, independente de quem fizer o pitch, é importante que a liderança esteja presente.

Quais os pontos de atenção nas cláusulas do term sheet? 

Um ponto de atenção é sobre controle. Deve estar claro que nenhuma investidora ou investidor pode aprovar ou vetar algo sozinho.

Além disso, para o fundo é importante ter uma saída clara. A depender da quantidade de capital, a investidora ou o investidor pode pedir um board member ou board observer.

O principal ponto com relação às cláusulas é ter uma boa advogada ou advogado para entender o que faz sentido e está dentro dos padrões de mercado ou não.

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