O Estágio e a tal da experiência

A palavra estágio tem vários conceitos: um período de tempo, um aprendizado e até experiência. Mas aqui, o estágio que me refiro é o estágio como uma forma de ingresso numa empresa e a obtenção de experiência para exercer suas atividades profissionalmente, seja de forma autônoma ou como empregado de alguma instituição.

Ao ingressar no ensino superior, os alunos imaginam-se a todo vapor em seus respectivos estágios profissionais. Para alguns, o estágio é motivo de consagração e para outros, é motivo para dor de cabeça e desânimo. O estágio é o momento de vivência e aprendizagem profissional no referente curso que está em conclusão pelo aluno. Elo entre a teoria e a prática. Alguns cursos devem ter o estágio supervisionado, como os cursos de Direito, Medicina, Pedagogia por exemplo; já outras graduações, como as tecnológicas, em sua grande maioria não se fazem necessário, frente o MEC, o estágio supervisionado; e esta será a problemática.

Na era da informação, onde tudo circula muito rápido e o mercado se torna a cada dia mais competitivo, as organizações exigem cada vez mais e mais de seus colaboradores, tornando-se difícil entender o que é experiência. Presumo que a experiência, além da competência, é adquirida através do C.H.A. (Conhecimento – saber; Habilidade – Saber fazer; Atitude – Ir fazer).

Uma das técnicas de recrutamento e seleção é o uso da ferramenta de seleção por competência, onde se investiga o C.H.A. do candidato através do C.A.R. (Contexto, Ação e Resultado). Contudo, até quando se pode considerar a “experiência” somente aquilo que é realizado dentro de alguma organização (empresa)?

Contando minha experiência como exemplo: certa vez, ao fazer um recrutamento e seleção para uma vaga de estágio em Design gráfico de uma startup, me deparei com vários currículos onde já tinham experiências profissionais (CLT) e alguns outros já tinham um ou dois estágios na área de graduação. Os candidatos tinham um bom portfólio, eram sensacionais. Porém, um currículo me chamou a atenção, este tinha um estágio ainda em andamento, sua única experiência profissional, alguns cursos voltados às ferramentas de trabalho e afins. Mas além disso, este currículo tinha grandes experiências acadêmicas: um projeto experimental da universidade onde estudava e mais três prêmios, sendo um deles a nível nacional. Ao ter o entendimento de que alguns currículos tinham bem mais experiências que os outros e que se enquadravam em vagas melhores, por quê não dar oportunidade aquele currículo que possuía apenas experiência acadêmica como algo relevante? Pois era um estágio, um momento de aprendizagem. Este último o selecionado para o cargo de estagiário.
Para resumir: este último currículo foi selecionado, contratado e está muito feliz com uma experiência sensacional de trabalhar em uma startup e está entregando excelentes resultados.

A voltar a problemática: um programa de estágio visa integrar a teoria à prática, nesse sentido, por se tratar de um estágio, é quase que inaceitável exigir de candidatos experiências que põe em xeque a competência de muitas pessoas. Isso mostra a insensibilidade de um RH submisso e a hipocrisia de administradores que contratam estagiários para somente obter mão de obra mais barata.

O recrutador deve buscar entender as mudanças culturais, tecnológicas e do mercado, isto é mais que óbvio, a partir daí ele deve buscar compreender também o que de fato é experiência. Deve-se levar em consideração os workshops, oficinas, olimpíadas, premiações, tudo que envolver o campo acadêmico, pois é este mundo o mundo do aluno, esta é sua experiência. Não estou dizendo que se deve, por ser um estágio, descartar aqueles que já tenham experiência profissional, mas sim incluir aqueles que tenham pouca ou nenhuma experiência no mundo profissional, pois estes podem ser agentes de mudanças dentro de uma organização. Eles só estão esperando a oportunidade aparecer para pôr em prática tudo aquilo que eles já praticaram previamente.

Fonte: administradores.com.br

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