Reconhecimento: Um sim para você primeiro

Eu acredito que todos buscam ou querem algum tipo de reconhecimento. Pode ser numa intensidade maior ou menor, de alguém específico ou de várias pessoas diferentes, mas, de alguma maneira, cada um ao seu modo quer ser reconhecido.

Uma pesquisa feita pela International Stress Management Association em Porto Alegre e São Paulo apontou que 89% das pessoas sofre de stress por falta de reconhecimento no trabalho.

E isso é ruim? Depende. Da intensidade e do quanto você deposita sua satisfação, evolução ou felicidade na mão de qualquer outra pessoa que não seja você mesmo.

O que você controla? Imagina depender de uma segunda ou terceira parte absolutamente imprevisível e que talvez nunca faça, fale ou aja como você gostaria.

“Não se preocupe quando não for reconhecido, mas se esforce para ser digno de reconhecimento.” Abraham Lincoln

Marcelo cresceu numa família bastante exigente e mesmo quando ele tirava notas de 8 para cima, escutava coisas como: Você não fez mais que a sua obrigação! Marcelo cresceu sem se sentir valorizado por seus pais e com isso parece que sempre estava buscando algum tipo de aprovação e reforço positivo de outras pessoas. Uma espécie de busca sem fim.

Carla estudou em bons colégios e nunca lhe faltou nada. Mas, foi criada em um ambiente com visão e falas bastante críticas e negativas. Raramente comemoravam ou celebravam alguma conquista em casa. E com isso, Carla foi crescendo com uma espécie de vazio infinito. No fundo ela queria ouvir que estava no caminho certo. Que era boa o suficiente. Que errar é humano e tudo bem.

Histórias como a de Carla e Marcelo são bastante comuns e aumentam a intensidade de necessidade de reconhecimento. Quanto maior a necessidade externa de reforço, menor é o próprio reconhecimento, a segurança e a autoestima da pessoa.

Pense nos seus filhos, sobrinhos, ou procure se lembrar de você criança. As crianças montam um quebra cabeça ou qualquer outro brinquedo, independente do tempo que demorem, batem palma para si mesmas comemorando a sua conquista. Ou no mínimo escancaram um sorriso de vitória. Eu consegui!

Depois que você cresceu quantas vezes você celebra e reconhece algo que você fez? Você se “auto-parabeniza”pelas suas realizações?

Se você não comemora, provavelmente fica na incansável busca pelo reconhecimento externo e que muitas vezes não vai vir. Ou pelo menos não como você gostaria.

Gabriel queria muito ser reconhecido pelo seu líder direto, mas parecia que isso nunca ia acontecer. E ele ia ficando mais e mais frustrado pessoal e profissionalmente. Certo dia cansou e pediu demissão. Quando saiu disse para o seu líder: estou saindo por falta de reconhecimento. Seu líder disse: pena que você não falou nada antes, mas mesmo assim talvez não fosse o suficiente, porque o que você está buscando em mim ou na empresa está em você mesmo e só você pode resolver.

A tendência ainda é apontar ou dar feedbacks sobre os pontos fracos das pessoas no ambiente de trabalho. E em casa, em boa parte dos casos, criticar a comida que não estava boa ou o atraso ou qualquer comportamento que não parece ser adequado aos olhos de quem critica. Mas, e as coisas boas e o reconhecimento?

Poxa! Fiz 10 coisas boas e ninguém falou nada e a única coisa que fiz e não deu certo é criticada? Injustiça!

Pode ser mesmo. Mas, o que você vai fazer com isso?

“Criticar é fácil, porque todos nós sabemos muito bem o que significa falhar em momentos importantes. Quando nos sentimos derrotados, nosso primeiro impulso é provar que não fracassamos sozinhos. Nestes momentos, nada mais fácil que apontar os erros dos outros.”

O outro pode acreditar que: reconhecer e elogiar estraga. Apontando os pontos fracos eu ajudo mais essa pessoa. Se eu reconhecer ela pode se acomodar. Quando eu critico ela vai se esforçar mais e sair da zona de conforto.

Independente das crenças dos outros sobre reconhecimento, cada um precisa buscar ao máximo se reconhecer e elogiar e porque não, ser exemplo nisso fazendo pelos outros e abrindo um caminho que pode estar fechado e ser difícil para o outro iniciar. Faça você. Comece você. Diga sim para você, aceite como você é e está.

“Só conseguiremos vencer os momentos difíceis se formos capazes de ver onde foi que nosso semelhante acertou. Por isso, uma palavra de elogio aos acertos alheios é muito mais poderosa que as famosas “críticas sinceras”. Quando conseguimos admitir que nosso próximo merece um elogio, estamos abrindo em nosso coração uma estrada de mão dupla – e, em breve, receberemos um elogio de volta.”

Um líder ferido fere pessoas. Um pai , uma mãe etc … A mudança de comportamento está na escolha. A primeira escolha pode ser cada um se reconhecer, se parabenizar, bater palmas para si mesmo como as crianças por cada conquista e fazer isso todos os dias.

Quem topa o desafio do auto-reconhecimento diário? Hoje você se “auto-parabeniza” pelo que?

Fonte: administradores.com.br

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